25/09/2014

O que faz um gibi ser considerado raro?



Num primeiro momento, assim que a pergunta é lançada, acredito que todos imaginam no tempo de publicação que aquela revista tem, ou seja, há quantos anos ela existe. Mas será que está correto responder essa pergunta se baseando há quanto tempo a edição foi às bancas? 

Em minha opinião o que vai definir se uma edição é rara ou não, seria o número de exemplares da mesma, que existem no mundo. E como saber disso? Realmente não tem como saber com toda certeza quantos exemplares existem de um determinado número, mas dá pra deduzir. Então é aí onde entra o tempo de lançamento. Quanto mais tempo, e mais antiga for à publicação, deduz-se que menos exemplares tenham. Isso depende também da tiragem, é claro, o que também não é tão simples de se saber com convicção.

Partindo desta premissa, só vai ser um gibi raro aqueles que existem poucos. Não considero raros aqueles que são caros, mas que existem muitos no mercado pra vender. Têm uns que são tão caros, mas que quando pesquisamos a disponibilidade a venda, têm muitos só que com preços exorbitantes. Então concluímos que neste caso o problema não é de escassez e sim de especulação.

Exemplo: se certo gibi saiu em bancas recentemente e logo se esgotou e não tem mais em nenhum lugar pra vender, alguns fatores tem que ser analisados sobre o porquê isso aconteceu pra saber se ele está raro. Primeiro é que se foi uma edição histórica, muitas pessoas compraram pra revender por um preço superior ao de capa quando se esgotasse o que aconteceu realmente já por conta dessa ideia de revenda. Isso me faz lembrar uma HQ do Tio Patinhas A Moeda de Um Milhão de Dólares, em que ele pra tornar uma moeda que não tina nenhum valor em raridade, recolhe todas as outras que são iguais e joga todas fora, ficando apenas com uma. Assim, como agora só existe uma única moeda daquelas no mundo inteiro, ela passa a ser uma moeda muito rara.

É mais ou menos assim que acontece no mercado de quadrinhos hoje em dia, principalmente quando se trata de gibis destinados ao público mais adulto como alguns volumes com HQs de super-heróis. Quando um encadernado é lançado, os especuladores compram muitos de uma vez só, o que faz com que se esgotem rápido, pois os leitores não compraram e sim mudou apenas de mãos e foram pra vendedores diferentes sendo muitos deles uns exploradores. Um exemplo claro disso é o Mercado Livre, que se tornou agora Mercenário Livre.

Essas revistas não são raras, pois existem muitos exemplares e na maioria das vezes nas mãos de poucos. É comum ver no ML, vendedores com números repetidos de edições lançadas recentemente e já esgotadas. E adivinha? Vendendo pelo dobro do preço de capa! Bem, mas isto do ML todos já sabem, e não tem nada de errado, afinal o que determina o valor do preço num sistema capitalista é a procura. Se a procura é grande... o preço vai ser alto mesmo!

Bem, o que eu queria compartilhar já disse. É que o que determina a raridade de uma edição não é o valor, o preço de mercado, pois isso pode ser facilmente fabricado num tempo em que os quadrinhos estão em alta. Não compro nada com um preço muito alto, principalmente se sei que saiu há pouco tempo. Se o lançamento é novo, logo ele vai aparecer por um preço baixo, às vezes até por menos do que o da capa, pois têm muitos nas mãos de leitores que certamente por não colecionar, logo, logo vão se desfazer deles.

O único problema é que geralmente vamos ter que contar com um pouco de sorte, pois a única coisa que vai garantir que esses gibis cheguem a nossas mãos em bom estado será o instinto natural que cada um tem de conservar aquilo que está em mãos por hábito, o que são poucas pessoas que têm quando se trata de gibis.

6 comentários:

  1. Tema complicado e que dá pano pra manga. Acho que raridade importa em um conjunto de fatores: 1. poucos exemplares em bom estado disponíveis venda; 2. poucos exemplares em poucas coleções; 3. relevância (deve uma HQ "relevante" para a nona arte; 4. elevada procura etc..

    Mas o que vejo de figurinha comum, por aí, sendo vendida como raridade, não é pouca...

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    1. Realmente vários fatores têm que ser considerados, e é por isso que pra termos a certeza se o exemplar vale muito, temos que saber como avaliar isso. Hoje em dia, até quem tem cuidado corre o risco de começar a cobiçar um gibi levado pela emoção.

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  2. Olá! Antigamente não se tinha tanta gente querendo cuidar das revistas em quadrinhos. Hoje em dia o panorama mudou um pouco. Vemos várias pessoas fazendo sua coleção, cada qual à sua maneira, e é fatal que acabe aparecendo os oportunistas. Agora, sobre a consideração acerca de uma revista ser RARA, aí já complica um pouco. Muita gente faz o que você bem falou: compra muito material de algo que deveria estar nas bancas e depois sai revendendo e diz que é raro. Isso tem um nome: desonestidade. Uma revista rara, para ter valor de verdade, não basta apenas ser difícil de encontrar, mas tem que ter algo além que a valoriza. Normalmente, as aventuras clássicas é que acabam valorizando o material. Aquela revista que está em sua primeira publicação, datada de muitos anos, e que não necessariamente seja um dos primeiros números da série, mas que contenha uma aventura significativa. Esse exemplo mostra como um título raro pode vir a custar caro e com motivos.

    Abraços.

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    1. Você falou algo que realmente é significante como um dos quesitos pra uma revista ser considerada rara: o conteúdo! Têm gibis que são tidos como raros mais só por ser antigos mesmo. Mas pra ser raro de verdade, necessita de mais do que isso . Precisa ter alguma história que tenha se destacado no mundo dos quadrinhos. Não é à toa que o exemplar mais caro do mundo é Action Comics 01 (jun/1938), por conter a primeira aparição do Superman e datar assim o início da era dos super-heróis.

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  3. Acho q raras são as edições q vendem bem e são tão boas q ninguém quer se desfazer. Então, encontrar tempos depois em sebos fica difícil e se torna rara e mais valorizadas a ponto de cobrarem absurdos...

    Boa postagem. Abraços

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    1. Isso mesmo! A edição tem que ser boa e se destacado por alguma coisa em particular pra também ser considerada rara. Também têm aquelas que eu acho que jamais ninguém imaginou que ia se tornar tão valiosa e hoje é, mas a gente quase não vê! Exemplo é PATO DONALD 01 (jul/1950). Foram milhares de exemplares e é difícil ver até algum fã dizendo que tem. ACTION COMICS 01 (jun/1938) se não me engano foram 200.000 exemplares. Hoje existem cerca de 100 no mundo inteiro. Cadê os outros 199.990? Faz tempo, mas demorou muito pra perceberem que ele ia se tornar o gibi mais valioso do mundo? Creio que muitos foram destruídos nas mãos de crianças, usados como embrulho... mas mesmo assim os que tem são muito poucos. Por isso é tão valioso também! Quem têm não quer se desfazer jamais. Obrigado pelo elogio. Abraços.

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